quinta-feira, 30 de julho de 2009

Longe da meia porção


Estes dias uma amiga me mandou este texto da Danuza Leão (sempre ela!) por e-mail e achei o máximo.
“A vida anda cheia de meias porções, de prazeres meia-boca, de aventuras pela metade.
A gente sai pra jantar, mas come pouco.
Vai à festa de casamento, mas resiste aos bombons.
Conquista a chamada liberdade sexual, mas tem que fingir que é difícil (a imensa maioria das mulheres continua com pavor de ser rotulada de 'fácil').
Adora tomar um banho demorado, mas se contém pra não desperdiçar os recursos do planeta.
Quer beijar aquele cara 20 anos mais novo, mas tem medo de fazer papel ridículo.
Tem vontade de ficar em casa vendo um DVD, esparramado no sofá, mas se obriga a ir malhar.
E por aí vai. Tantos deveres, tanta preocupação em 'acertar', tanto empenho em passar na vida sem pegar recuperação... Aí a vida vai ficando sem tempero, politicamente correta e existencialmente sem-graça, enquanto a gente vai ficando melancolicamente sem tesão...”

Conheço tanta gente meia porção. Gente que odeia o emprego, mas não se esforça para sair dele. Gente que encontra alguém bacana e foge com medo de amar. Gente que usa clichês para não dizer a verdade. Pessoas que preferem viver numa ilusão do que acordar e encarar a realidade da vida. Não me intrometo na vida de ninguém, cada um é feliz como pode e como quer e não cabe a mim ajudar quem não quer ser ajudado. Por isso sou um rapaz de várias porções, meia porção não sacia metade da minha vontade. Nunca fui de comer pelas beiradas, de viver pela metade. Sim tenho uma intensidade de corpo e alma que você não dará conta babe. Mas em algum dia te pedi para que me saciasse? Amo demais, com toda vontade, quero as coisas a todo custo. Não sossego enquanto não me lambuzo com o que acho precisar. Não faço nada sem tesão, sem aquela obsessão, sem sentimento. Sei que nem tudo que se quer é o que se precisa, mas como disse Danuza:
“Às vezes dá vontade de fazer tudo 'errado'. Deixar de lado a régua, o compasso, a bússola, a balança e os 10 mandamentos. Ser ridícula, inadequada, incoerente e não estar nem aí pro que dizem e o que pensam a nosso respeito. Recusar prazeres incompletos e meias porções. Até Santo Agostinho, que foi santo, uma vez se rebelou e disse uma frase mais ou menos assim: 'Deus, dai-me continência e castidade, mas não agora'...
Nós, que não aspiramos à santidade e estamos aqui de passagem, podemos (devemos?) desejar várias bolas de sorvete... bombons de muitos sabores, vários beijos bem dados... a água batendo sem pressa no corpo, o coração saciado.
Um dia a gente cria juízo. Um dia.
Não tem que ser agora.”
Não me venha com os velhos clichês querido meia porção, estou me lambuzando na vida, para mim não tem de ser agora!

sábado, 25 de julho de 2009

A dor de se perder um amigo


Uma das coisas que acho que nunca vou aprender é administrar a dor da perca. Mas não destas percas banais, falo da perca total. Quando alguém morre a única coisa que deixa é a lembrança na vida daqueles com quem viveu. Hoje meu coração ficou tão apertado que passava num buraco de agulha. De todas pessoas que conheci este ano ele era sem sombra de dúvida a que mais tinha paixão pela vida. Sempre sorrindo, sempre otimista. Seu coração era proporcional ao seu tamanho, enorme, sempre generoso, honesto. Dele só levo as melhores lembranças. Queria seu um décimo do que ele foi, assim eu seria algo bem maior do que sou hoje. Vou carregar comigo todos nosso papos, cervejadas, risos, todos conselhos que você me deu meu amigo.Vou ficar aqui tentando administrar a saudade imensa que já sinto. Hoje o dia está mais cinza do que nunca, mas sei que ai de cima você vai sempre estar me dando ajuda e puxões de orelha. Obrigado por passar na minha vida e deixar coisas tão boas. Adeus meu caro amigo.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

It´s Blitz!

Fazia já um tempo que eu queria ouvir, todos comentavam comigo que era um dos melhores discos do ano. Não confio no que fã diz. Eles são extremamente fiéis, seja lá o que os seus ídolos façam eles acha a oitava maravilha do mundo. A primeira vez que ouvi Yeah Yeah Yeahs foi quando vi o clip de Gold Lion na MTV. Adorei de cara, a música a batida. A Karen O com seu visual todo psicodélico e os rapazes todos sérios. Me apaixonei quando ouvi Turn Into e Maps. Nunca saiu das minhas listas no MP4. Esperava neste novo álbum algo parecido. Mas It´s Blitz! é uma mudança radical no som da banda. Antes as guitarras matadoras, agora elas ainda estão lá, mas os sintetizadores e teclados se destacam. Karen O continua inconfundível, sua voz, seu visual. Nesta semana do rock recomendo Yeah Yeah Yeahs, It´s Blitz!

3 Luxos:

1. Heads Will Roll
Simplesmente alucinante. Feita para a pista de dança de qualquer festa. A batida é contagiante é impossível não dançar.A letra agressiva bem Rock´ n Roll com melodia dançante, a cara do Yeah Yeah Yeahs:
“Off off with your head
Dance dance 'til you're dead
Heads will roll On the floor”

2. Soft Shock
Também dançante, mas mais intimista. Refrãozinho que pega e gruda. Do nada você se pega cantando:
“It’s the time, it’s the day…
don’t leave me
It’s the time, it’s the day…
don’t leave me
It’s the time, it’s the day”

3. Hysteric

Ela começa com uma batidinha depois vem todos sintetizadores, adoro uma baladinha romântica com som eletrônico.
“Flow sweetly, hang heavy
You suddenly complete me
You suddenly complete me
Flow sweetly, hang heavy
You suddenly complete me
You suddenly complete me”

1 Lixo:
1. Runaway

Não Chega a ser um lixo. A música é linda e perfeita, mas fica fora de sintonia com as faixas restantes. Ela começa com um solo de piano e Karen O cantando. Quem estava animado com todo som anos 80 com sintetizadores e as guitarras típicas do Yeah Yeah Yeahs estranha um pouco.
“Run, run, run away
Lost, lost, lost my mind
Like you to stay
Want you to be my prize”

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Somos todos Holly Golightly


PAUL – Lá se foi a América do Sul. Bom, você não foi feita para ser a rainha dos pampas, mesmo. (Para o taxista) Hotel Clayton.


HOLLY – Idlewild.


PAUL – O quê?


HOLLY – O avião sai às 12 e pretendo estar a bordo.


PAUL – Holly, você não pode.


HOLLY – Et pouquoi pas? Não vou atrás do José, se é isso o que está pensando. Na minha opinião, ele é o futuro presidente de lugar nenhum. Porque deveria desperdiçar a passagem? Além do mais, nunca fui ao Brasil.
Ele a observa, incrédulo e em silêncio.


HOLLY – Por favor, querido, não me olhe assim. Eu vou de qualquer jeito. Tudo o que querem de mim é que eu deponha contra Sally. Ninguém tem a mínima intenção de me processar. Eles nem têm a mínima chance. Esta cidade acabou para mim, pelo menos por enquanto. Às vezes, a fama pode arruinar a pele de uma mulher. Devem ter montado forcas para mim em toda a cidade. Sabe o que pode fazer por mim? Telefone para o New York Times. Quero que me envie uma lista dos 50 homens mais ricos do Brasil. Os 50 mais ricos!


PAUL – Holly, não vou permitir isso.


HOLLY – Não vai permitir?


PAUL – Holly, estou apaixonado por você.


HOLLY – E daí?


PAUL – “E daí”? Isso chega. Eu a amo. Você me pertence.


HOLLY – Não. As pessoas não se pertencem.


PAUL – Claro que sim.


HOLLY – Ninguém vai me pôr numa jaula.


PAUL – Não quero colocar você numa jaula. Quero amar você.


HOLLY – É a mesma coisa.


PAUL – Não é, não, Holly.


HOLLY – Não sou Holly! Não sou nem Lula Mae! Não sei quem sou! Sou como o Gato, somos dois coitados sem nome! Não temos dono, nós nem pertencemos um ao outro! (para o taxista) Pare o táxi!
O carro pára na entrada de um beco, enquanto cai uma chuva torrencial. Ela abre a porta.


HOLLY – (Para o Gato) O que acha? Parece ser o lugar certo para um cara durão como você! Latas de lixo, ratos por toda a parte… Suma! Disse para ir embora! Se manda! (Bota o Gato para fora e fecha a porta) Vamos!
Paul não acredita no que aconteceu. Tita uma nota do bolso.


PAUL – Motorista, pare aqui.

O carro pára e ele sai, mas antes de fechar a porta e ir embora, se vira para Holly.


PAUL – Sabe qual é o seu problema, “senhorita Seja-lá-quem-for”? Você é covarde. Você não tem coragem. Tem medo de encarar a realidade e dizer: “Ok, a vida é um fato. As pessoas se apaixonam”. As pessoas pertencem umas às outras porque é a única chance que têm de serem realmente felizes. Você acha que tem um espírito livre e selvagem e morre de medo de ser enjaulada. Bem, querida, você está na jaula que você mesma construiu. E não só em Tulip, Texas, ou na Somália: estará sempre nela. Não importa para onde corra, estará sempre trombando consigo mesma! (Tira do bolso uma caixinha) Pegue. Tenho carregado isso comigo há meses. Não quero mais.
Ele joga a caixinha no colo dela e vai embora. Ela abre a caixa e chora quando vê o conteúdo: um anel, simples brinde de uma caixa de biscoitos, no qual ele tinha mandado gravar as iniciais de ambos na joalheria Tiffany’s.

sábado, 4 de julho de 2009

Apenas o fim

Quem me conhece sabe que eu vejo um monte de filmes. Mas Apenas o fim, foi um dos melhores filmes que vi este ano. Se alguém não gostou é porque já passou dos vintes e poucos anos. Quem tem essa idade com certeza se identificou com o filme e todas as referências que o casal tem. O filme realmente retrata o espírito do nosso tempo. A trama se desenrola entre o casal Adriana (Érica Mader) e Antônio (Gregório Duviver). A relação amorosa destes é temperada por paixão, dor e sentimentos ambíguos. O roteiro é muito bem feito e realista, na poltrona você se identifica ora com um, ora com outro. Lembra de situações, pessoas. Os diálogos são bem feitos e recheados de referências a cultura pop dos anos 90. O dialogo que inicia o filme como: Qual Power Ranger você era? Quando começava a jogar Pokemón, qual você escolhia? Transformers é melhor do que todos o filmes do Godard juntos? Um filme que trata do fim de um relacionamento poderia ser um dramalhão, mas acaba se tornando uma grande comédia. O que no fim é o temos de fazer, guardar os melhores momentos das melhores pessoas.