domingo, 29 de março de 2009

A guerra do tempo


Nada como o tempo para ajeitar as coisas. “O tempo é o senhor da razão!” Ouvimos muito isso mas no fundo não acreditamos muito. Temos uma necessidade insana de tomar as rédeas de tudo em nossas vidas, de programar tudo. Fazemos planos, conjecturas, esquecemos que o acaso e a própria vida podem virar tudo de ponta cabeça. Eu esperei, dei um tempo de tudo. Fiz sim muitos planos, criei hipóteses mil para coisas que se passavam na minha vida, busquei incansavelmente respostas, mas não fiz nada a não ser deixar o tempo me mostrar a verdade. E ele finalmente foi bondoso comigo. Uma coisa boa de recomeçar é todas as novas coisas a serem vividas e aprendidas, a coisa ruim é que para recomeçar coisas tem de acabar. E nem sempre acabam da melhor forma. Numa guerra o vendedor tem a glória, o perdedor os feridos. Posso dizer que venci mas nem por isso não existiram feridos. Tive de matar muitas pessoas dentro de mim para recomeçar. Algumas o desapego foi fácil, por mais surpreendente que pareça. Outras a ferida ainda dói. E para mais estas feridas conto com o tempo para esquecer. Pois nada melhor do que ele para nos mostrar a verdade. Algumas coisas se aliam com o tempo e tornam-se inesquecíveis, atemporais. Outras se sepultam nas areias do tempo para serem esquecidas. As cinzas na minha ampulheta, são as cinzas daqueles que esqueci.

sábado, 21 de março de 2009

Rafael Vidal, o inimigo dos números


Matemática sempre foi a pior matéria para mim. Desde pequeno odiava, passava por milagre. Mas sempre me esforcei ao máximo para sair bem. Mas quem me conhece sabe, eu me cobro demais. Sempre acho que o que faço é pífio e que se eu me esforçasse mais poderia ter resultados melhores. Por um milagre de Deus passei por dois semestres de Estatística. E meus caros nem me perguntem algo sobre estatística, pois não lembro de absolutamente nada, tanto minha insatisfação com os fdp dos números, contas e fórmulas. Pensando que estava livre de mais uma vez estudar algo que envolva muita matemática me vejo agora tendo aulas de Economia. (Já não bastassem os meus traumas com economistas!). Sim é bem mais fácil que estatística mas meus preconceitos fazem odiar esta matéria. Mesmo o professor sendo um fofo e ter uma paciência digna de monge, não me entra na cabeça absolutamente nada. Alguém pode me explicar por que eu e os números não somos amiguinhos? Por que não temos horas de conversas por MSN e sms? Por que não vamos a balada juntos e rimos de tudo? Por que não saímos para fazer compras juntos? Por que não somos confidentes? Até onde essa implicância irá? Sonho com um dia que serei amigos dos números, iremos a Starbucks juntos fazer confidências e contar até mil. Mas antes disso só me resta estudar, e estudar muito.

domingo, 15 de março de 2009

Já surtou hoje?


Era uma vez um ator chamado Joaquim Phoenix. Um dos atores mais promissores da sua geração. Indicado ao Oscar, responsável por atuações incríveis como em Walk the Line, Gladiador, Johnny and June. Mas certo dia Phoenix resolveu largar toda carreira de ator e decidiu virar rapper. Se essa mudança brusca já parece esquisita, olhe o visual que o ator adotou nesta nova carreira. Parecendo honestamente um mendigo, com cabelos e barbas enormes e óculos escuros inseparáveis. Se tudo isso já parece estranho, veja a entrevista dele no David Letterman, ele se recusou a falar do seu último filme, ficou bravo com a platéia que não conteve os risos, colou chiclete na mesa do Letterman, em alguns momentos ninguém conseguia entender o que ele dizia, além de se recusar várias vezes a responder a perguntas, gerando um embaraço geral. Se só isso fosse bizarro, Phoenix na última quarta feira faz seu primeiro show. A platéia esperou por quatro horas até que o novo rapper subisse ao palco. A platéia começou a rir, Phoenix trocou ofensas com a platéia, um espectador quis retrucar as ofensas e acabou levando uns socos. Criou-se a confusão e no outro dia os jornais já estavam recheados e as especulações logicamente agora rolam soltas. Alguns dizem que o ator anda sofrendo de problemas mentais, outros dizem que se trata de um documentário que Casey Affleck, seu cunhado está produzindo, e tudo isso não passa de uma atuação de Phoenix. O que está se passando realmente com Joaquim Phoenix não se sabe, mas o que se sabe é que está história está apenas no começo.

domingo, 8 de março de 2009

Ódio


“Rafael você odeia tanta coisa, tantas pessoas, ainda não se deu conta de que isso é uma forma de amar, desejar e não admitir?” Sim ninguém odeia os fracos, ninguém odeia os feios, ninguém odeia quem não é importante. Se você odeia muito algo, é porque de alguma forma isso lhe atrai. E isso te deixa tão vulnerável que você prefere não admitir, a maneira mais fácil é odiar. Para mim a antítese de amar é indiferença e não ódio. O ódio ainda é uma passionalidade, já a indiferença mostra a inexistência de qualquer sentimento. Minha lista de ódio não é tão grande. Mas ainda existem coisas que eu prefiro dizer odeio, do que dizer amo. Prefiro me afastar, do que confrontar. Amar é difícil, odiar é difícil, ser humano é difícil. Assim levo a vida, amando, odiando, aprendendo e vivendo.

terça-feira, 3 de março de 2009

Felicidade


Tocava New Order alto no quarto azul. Blue Monday, Regret, Temptation, Perfect Kiss, Age of Conset... Ele se sentia como a tempos não se sentia: Feliz. Tudo está bem, da maneira ele havia planejado. Os laços de amizade se estreitavam cada vez mais. As baladas estavam cada dias mais alucinantes. Ele conheceu novas pessoas. Esqueceu definitivamente coisas que antes o deixavam melancólico, angustiado. Sim ele não podia mudar o passado. Ele teve de ir aquele bar conhecer aquela pessoa, ter pessoas queridas hospitalizadas, teve de chorar escondido. Mas o passado não pode ser reescrito. O presente pode! Ele fez novas escolhas, agüentou as conseqüências, e hoje respira aliviado, pois fez as escolhas que queria, aquelas que julgava correto. Fazer escolhas é um aprendizado constante, a cada escolha errada você aprende mais um pouco. E hoje quando ele de vez em quando tromba com seu passado, não se arrepende, ri de como foi tolo em colocar valor nas banalidades, e se orgulha de hoje não cair nas mesmas armadilhas. Alguns sorrisos de felicidade e admiração, com o tempo desbotam e tornam-se sorrisos amarelos de pura educação por compaixão. Ele sabe que ainda vai cair em mil armadilhas, que muita coisa ai está por vir. Mas se sente mais forte, seguro e dono de suas decisões. Se antes ele se assustava com a aleatoriedade das coisas, hoje ele espera que ela venha para amadurecer mais um pouco. Tudo está onde deveria estar, a felicidade finalmente achou o seu lugar.