sábado, 24 de janeiro de 2009

Conversa com o espelho

Em semanas de Fashion Week me questiono, o que é realmente belo? Ser magro, gastar um salário mínimo em uma calça jeans? Não, eu não sou contra a industria da moda, pelo contrario, adoro. Mas essa piração em semana de moda me estressa. Todos se matam por um convite, se montam desesperadamente. Parece que o resto do mundo parou de existir. Semana que vem as fotos da Gisele no jornal virou banheiro dos meus cachorros. Moda, beleza, estilo para mim é bem-estar. Olhar no espelho e se sentir bem, não importa o tamanho ou preço das roupas. Também odeio essas regras do mundo da moda. “O cinza é o novo preto!” Compro o que agrada aos meus olhos. Quem acha que moda é se vestir em escala industrial é bem alienado. Minha melhor Fashion Week é a rua. As pessoas, suas atitudes, estilos, e elas se vestem assim por que querem e por que gostam, não porque algum editor ou estilista resolveu que assim tem de ser. Beleza é se aceitar, se gostar e criar sua própria identidade.Para mim nada mais belo que um rosto feliz.

sábado, 17 de janeiro de 2009

Maysa e eu

Conhecia poucas coisas sobre Maysa. Adorava suas canções melancólicas, essa passionalidade, uma forma viceral de amar. Assistindo a mini-série da Globo Maysa – Quando Fala o Coração, me identifiquei muito com a personalidade dela. Ela fez o que queria fazer, mesmo contra o gosto de muitos. Não teve medo e começou a carreira de cantora. Escrevia suas letras, falava de como é ser sozinha, como amar e sofrer por amar demais, de não ser correspondida. Teve vários amores embora só um tenha sido o seu grande amor. Bebia demais, levava uma vida intensa, tinha um humor instável. Vivia de excessos, de escândalos e não dava a mínima para isso. Sempre gostei dela e da Dolores Duran, toda essa melancolia dos sambas-canção que elas cantavam. Depois teve sua fase bossa nova, se tornou uma das mais importantes interpretes da história da MPB. Ás vezes me sinto muito Maysa. Bebendo até o ultimo copo, o ultimo gole, para fugir de mim, para quem sabe na embriaguez uma resposta uma saída apareça. Sofrendo de amor de uma maneira viceral, com toso meu ser. Querendo escandalizar todos, falando palavrões, uma criança que se finge de má para conseguir colo. Alguém que vive maquiado, usando mascaras para esconder seu verdadeiro ser. Alguém que acha que a vida deve ser vivida intensamente, nunca saberemos quando bateremos de frente e dessa batida não voltar.

“A bebida é a bengala de um velhinho que mora dentro da minha personalidade. Mas tenho certeza de que uma criança que existia em mim, antes de tantas coisas acontecerem, um dia voltará. Só então Saberei quem sou.”

Maysa

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Passado e presente


Começo de ano faxina nos armários, roupas para dar, papéis para o lixo, e álbum de fotos. Olhando meu passado visual digo com convicção, o tempo é meu aliado. O cabelo finalmente me obedeceu em todas mudanças que eu quis, e olha que não foram poucas! O corpo finalmente está próximo do que eu quero, já fui esquelético, gordinho e quem sabe um dia não terei o corpo dos meus sonhos. As roupas melhoraram muito, tenho meus dias ruins de briga com o guarda-roupa, mas quando quero sei impressionar. Olhando algumas fotos antigas penso: Onde eu estava com a cabeça quando usava isso? Hoje sei escolher melhor, algumas liquidações me ajudam a fazer merda mas enfim com todo mundo é assim. Mas tirando a parte estética, mudei muitas coisas. Conceitos, sonhos, atitudes, opiniões. Em algumas fotos escondo meu sorriso, hoje de longe me ouvem rindo.Tudo foi intenso, verdadeiro, cruel e foi bom. Me reinventei várias vezes. Já me fizeram em pedaços e eu pacientemente me remontei. Engoli sapos, levei tapas na cara, dei cabeçadas no muro. Mas aprendi, amadureci, e sei que ainda não estou pronto. Meio bossa nova e rock’n roll, meio homem meio moleque. Sempre mudando, sempre aprendendo, sempre querendo mais da vida e de mim mesmo. Até onde vou, não sei e nem me interessa saber. Não me preocupo com a chegada, aproveito muito o caminho.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Praia e Stones

O som das ondas do mar acalentam meu sono, a luz forte do sol entra pela janela aberta e me faz acordar cedo. Cadeira de praia, uma revista, uma lata de cerveja. Ano novo, vida nova, será? Os mesmo pensamentos, as mesmas ilusões, desilusões, sonhos, medos. Andar pela praia, o casal que se beija, a criança que brinca, outra que chora com medo do mar, o futebol, as periguetes. Um dos lugares mais democráticos é a praia. Pessoas bem de vida e outras nem tão bem dividem o mesmo espaço. Claro que a maneira como cada um se diverte é diferente, coisas de Brasil. Ombro ardendo, pois é esqueci o protetor, agora já foi. Um mergulho, mar forte, água salgada. Volto ao meu guarda-sol, papo com os amigos, muita caipirinha. Tenho um momento raro de solidão. Rolling Stones em ritmo de bossa nova, nada mais praia para escutar. Parece um sussurro, uma jura de amor ao pé do ouvido: “You can´t always get what your want!” parece um recado. O álcool da caipirinha sobe, no meu delírio etílico penso em várias coisas, coisas a dizer, a fazer, a esquecer, a lembrar. E depois de pensar tanto, não penso em nada. Medito por uns quinze minutos olhando a vastidão do mar que é agitado e depois vai se acalmando até o infinito. Cansado de pensar resolvo beber mais, caipirinha de limão, de pêssego, de abacaxi, espanhola e cerveja. Mais papos, piadas, paqueras, mais leitura e mais Rolling Stones: “I’m free to do what I want any old time”. Bom conselho para começar o ano. Seremos todos livres, lembrando que você não pode ter sempre o que quer.