domingo, 16 de agosto de 2009

Estranhos


Sei que num sábado ensolarado. Eu com um dor de cabeça incrível pela noite de ontem. Você virá me chamar no portão de casa. Com a cara mais lavada do mundo. Me chamando para ir naquele restaurante que eu adoro, jogar conversa fora e depois beber uma cerveja gelada. E sei que eu no ápice da minha estupidez e carência irei aceitar. Você vai entrar vai brincar com os cachorros como sempre fez, vai perguntar se algo está diferente e eu digo que não, que esta tudo da mesma forma que antes. Porque nada mudou. Ainda tenho os mesmos amigos, vou aos mesmos lugares, tenho os mesmos sonhos, ainda tenho aquele medo doido de amar. Você vai me ver trocar de roupa, vai ficar acanhado por mais que eu tenha feito isso mil vezes na sua frente. Você vai comentar que eu engordei um pouco, que eu sempre fui muito magro, que assim fica melhor. Eu não vou dar ouvidos como sempre. Vamos andar pelas mesmas ruas, mas com um sentimento estranho. De sermos estranhos um para o outro. Como podemos depois de tudo que já passamos nos sentir assim. A comida é boa, conseguimos encontrar uma sintonia, rir dos defeitos um do outro. A primeira vista parecemos amigos, amigos que nunca fomos, pois desde o inicio a vontade de ambos era outra. Você vai me pedir para te acompanhar até em casa e ver o filme Frances que você comprou. E no caminho já tenho certeza de que vamos tomar aquele vinho de sempre. Ouvir aquele blues frenético e faremos sexo na mesma sintonia da música. E depois tudo parecerá mais estranho que nunca. E vamos nos recolher cada um no seu domingo vazio, como se a noite passada não houvesse existido.

3 comentários:

Marcos Roberto disse...

O final ficou incrível ^^

Thaís N. disse...

Será que é essa a tal solidão vivida a dois? Adorei o texto!

Ariane Mazza disse...

A gente sempre aceita!

Lindo, lindo...