quinta-feira, 9 de julho de 2009

Somos todos Holly Golightly


PAUL – Lá se foi a América do Sul. Bom, você não foi feita para ser a rainha dos pampas, mesmo. (Para o taxista) Hotel Clayton.


HOLLY – Idlewild.


PAUL – O quê?


HOLLY – O avião sai às 12 e pretendo estar a bordo.


PAUL – Holly, você não pode.


HOLLY – Et pouquoi pas? Não vou atrás do José, se é isso o que está pensando. Na minha opinião, ele é o futuro presidente de lugar nenhum. Porque deveria desperdiçar a passagem? Além do mais, nunca fui ao Brasil.
Ele a observa, incrédulo e em silêncio.


HOLLY – Por favor, querido, não me olhe assim. Eu vou de qualquer jeito. Tudo o que querem de mim é que eu deponha contra Sally. Ninguém tem a mínima intenção de me processar. Eles nem têm a mínima chance. Esta cidade acabou para mim, pelo menos por enquanto. Às vezes, a fama pode arruinar a pele de uma mulher. Devem ter montado forcas para mim em toda a cidade. Sabe o que pode fazer por mim? Telefone para o New York Times. Quero que me envie uma lista dos 50 homens mais ricos do Brasil. Os 50 mais ricos!


PAUL – Holly, não vou permitir isso.


HOLLY – Não vai permitir?


PAUL – Holly, estou apaixonado por você.


HOLLY – E daí?


PAUL – “E daí”? Isso chega. Eu a amo. Você me pertence.


HOLLY – Não. As pessoas não se pertencem.


PAUL – Claro que sim.


HOLLY – Ninguém vai me pôr numa jaula.


PAUL – Não quero colocar você numa jaula. Quero amar você.


HOLLY – É a mesma coisa.


PAUL – Não é, não, Holly.


HOLLY – Não sou Holly! Não sou nem Lula Mae! Não sei quem sou! Sou como o Gato, somos dois coitados sem nome! Não temos dono, nós nem pertencemos um ao outro! (para o taxista) Pare o táxi!
O carro pára na entrada de um beco, enquanto cai uma chuva torrencial. Ela abre a porta.


HOLLY – (Para o Gato) O que acha? Parece ser o lugar certo para um cara durão como você! Latas de lixo, ratos por toda a parte… Suma! Disse para ir embora! Se manda! (Bota o Gato para fora e fecha a porta) Vamos!
Paul não acredita no que aconteceu. Tita uma nota do bolso.


PAUL – Motorista, pare aqui.

O carro pára e ele sai, mas antes de fechar a porta e ir embora, se vira para Holly.


PAUL – Sabe qual é o seu problema, “senhorita Seja-lá-quem-for”? Você é covarde. Você não tem coragem. Tem medo de encarar a realidade e dizer: “Ok, a vida é um fato. As pessoas se apaixonam”. As pessoas pertencem umas às outras porque é a única chance que têm de serem realmente felizes. Você acha que tem um espírito livre e selvagem e morre de medo de ser enjaulada. Bem, querida, você está na jaula que você mesma construiu. E não só em Tulip, Texas, ou na Somália: estará sempre nela. Não importa para onde corra, estará sempre trombando consigo mesma! (Tira do bolso uma caixinha) Pegue. Tenho carregado isso comigo há meses. Não quero mais.
Ele joga a caixinha no colo dela e vai embora. Ela abre a caixa e chora quando vê o conteúdo: um anel, simples brinde de uma caixa de biscoitos, no qual ele tinha mandado gravar as iniciais de ambos na joalheria Tiffany’s.

2 comentários:

kentrenos disse...

Lindooo mtas saudads kero ver vc, vamos marcar alguma coisa? mas sem ser balada, um cinema talvez?
Bjuu amor
Teu blog ta lindu

Lesma de sofá disse...

A leveza e despreocupacao da Golightly estao ha anos luz da minha existencia atual!
beijos