
Mais uma noite, calor, rua cheia, o caminha para casa nunca pareceu tão longo. O calor do mormaço da rua, a brisa fresca que abraça, os faróis dos carros passando alucinadamente. Todo barulho da cidade na minha cabeça. Um bar, um bar péssimo, imundo, um forró tosco tocando, gente estranha, mas uma cerveja gelada e incrivelmente deliciosa. No balcão tomo uma garrafa sozinho. Peço uma latinha e sigo meu caminho. Passo em frente a uma igreja. Uma noiva esta chegando, o vestido branco, o brilho da grinalda, os lábios vermelhos e um sorriso que mostra uma emoção e felicidade que me contagia. Alguém encontrou seu amor, nem tudo esta perdido. Quando a lata acaba encontro um amigo que não vejo no mínimo por uns cinco anos, vamos a um bar conversar, beber mais. Os desenhos que a vida vai fazendo são imprevisíveis. Todos encontros, desencontros. Percas, ganhos. Todas páginas de um livro de memórias que vamos escrevendo ao longo do tempo. Chego em casa, tudo vazio, tomo um café, abro a janela e penso em todas coisas boas que a vida me deu. Saúde para enfrentar tudo, família que me apóia, amigos que deixam a vida mais leve, coloco Amy para tocar. Ás vezes morro de medo do futuro, do imprevisível, do acaso. Medo de não estar preparado para todas barras que ainda vou passar, medo de me decepcionar, decepcionar quem eu amo. Com esse sentimento começa a trovejar no céu, anunciando uma tempestade. O disco acaba, fico imóvel me deliciando no silêncio. Por um momento consigo não pensar. Os cachorros dormem nos meus pés. Me levanto vou à janela, e olho o céu cinco minutos antes da tempestade, parece tudo calmo e no seu lugar, mas no fundo sabemos que ela virá implacavelmente. Ela chega, o vento tira coisas do lugar, a chuva acaba com o mormaço do asfalto, molha meu rosto de leve, o barulho ensurdecedor da água. Assim como ela veio ela acaba. O silêncio volta, o brilho da calçada parece um céu estrelado. Tudo tem um brilho diferente. Ás vezes a vida é como uma grande tempestade. Trovões e raios a anunciam, ela vem arrebatadora, algumas coisa mudam de lugar, outras permanecem onde estão, mas nada depois dela é como antes.

5 comentários:
As pessoas se fecham em seus mundos, o mundo real parece feio de mais para competir com o nosso mundo privado, falta calor. ^Cada um vive em uma São Paulo diferente, cada um Têm sua propria relação coma cidade, presos em suas proprias versões mediocres do que é o mundo real, por que não parar de sonhar e começar a construir o sonho ? sair do mundo encantado de uma mente torturada pela igreja, video game portatil ou mp3 player e procurar amigos, irmão, amores de verdade !
è uam pena que a cidade tenha se tornado tão vazia, podemos ainda manter relações quentes com as pessoas. Vale a pena lembrar, que ao lado de um amigo um dia de tempestade se torna maravilhoso!
O bom da vida é a gente não saber se dá conta do que está por vir!
Fica mais interessante...
Já pensou que tédio seria se fosse tudo garantido e certo???
bjs
ainda vamos ouvir amy juntos, rindo mto.... rsrssrsr
confira dps a decadencia dos namoros no amenidadess!
abs
lindo, lindo. amo aquele momento um pouco antes da tempestade, quando a gente fica em dúvida se realmente ela vai cair, simplesmente porque não é algo óbvio, parece algo até meio místico: não chovia a cinco minutos atrás e de repente tudo pode mudar, não sabemos se o vento vai arrancar o telhado da nossa casa, não sabemos nem mesmo se as nuvens vão se dissipar a seco.
quanto aos amigos, é realmente cada vez mais difícil manter um vínculo com mais de duas pessoas nesse mundo louco que a gente vive. me pego pensando se já foi diferente com alguém.
as tempestades são fundamentais...elas levam algumas coisas...mas abrem caminho para novas possibilidades...
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