domingo, 25 de outubro de 2009

Fim


Inicio, meio, fim. Tudo que é bom ou ruim uma hora acaba. Nossa vida é feita de términos. Terminam- se as horas no relógio. Termina o expediente, a cerveja no bar, o namoro no café e o casamento acaba na sala de estar no meio da noite. Há quem encare o término como o fim irrecuperável, outros como um renascimento. Por muito tempo este purgatório de idéias foi o melhor lugar para despejar honestamente tudo o que senti. Nisso recebi criticas, elogios, tapas na cara. Muitos me perguntavam o motivo de não escrever mais com tanta freqüência, e nos últimos dias por não escrever. Muita coisa se passa na minha mente, mas já não consigo ver este lugar como meu. Era um lugar de alguém que não existe mais, não me pertencia. Chegou a hora do velho morrer para o novo nascer. Este blog não terá mais postagens e nem será apagado. É o registro de um tempo feliz por mais que não pareça. Vou continuar em um novo lugar. Temos de nos reinventar para sobreviver. Minhas confissões apenas mudaram de endereço...

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Wild Horse


Queria no período entre o meu acordar e o meu dormir não pensar nem por um segundo em você. Tirar você da minha mente, do meu corpo, de todos meus sentidos, do meu coração. Queria não ver você nos rostos que trombo no caminho para o trabalho. Não ver a sua face na tela desligada do computador. Não atender ao telefone e pensar que pode ser você. Queria não desejar seus beijos, nosso sexo, o vinho, a sua cama. Queria almoçar suas vísceras, te odiar mais, te desencantar. Você esta longe da santidade, da fantasia. Você esta no banal, no torto. E eu gosto disso, gosto que nos meus pensamentos você seja esta perfeição nos mínimos detalhes, para que na realidade possa te destruir a cada segundo que te quero e não te tenho. E nem quero ter, quero idealizar que tudo um dia poderia ser diferente. Queria mesmo que fosse. Mas querer está longe de poder. Fico aqui idealizando um romance, querendo ser completo, e na realidade te destruo, cuspo na sua cara. Porque sou assim bicho, animal selvagem. Só espero que um dia alguém consiga dominar toda esta intensidade de corpo e alma.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

O pavão


Adoro essa sua fraqueza. Essa coisa de pobre coitado, de andar reclamando pelos cantos. De saber que você chora no chão do banheiro. Que se sente um animal defecando seus medos pelos cantos. Adoro essa sua falta de coragem de experimentar novos lugares, novas experiências. Sempre no mesmo lugar, com o mesmo bando. Em um mundo como hoje ser totalmente inerte é algo admirável. Adoro sua futilidade, os seus valores controversos. Adoro essa sua arrogância, seu jeito de que é dono de todos, de todas as situações. Adoro ainda mais quando casualmente te encontro numa sexta feira qualquer, se achando a última puta da noite. Você se exibindo como um pavão mostra suas plumas. E adoro ainda mais olhar nos seus olhos e ver que superei você, que foi mais um dos meus caprichos de garoto mimado que tive. Adoro ver que hoje sou alguém diferente e que na minha vida não há lugar para a inércia. Sim é perverso mas adoro rir da sua desgraça.

domingo, 23 de agosto de 2009

Lençóis desfeitos

São nas noites frias, nas ruas vazias, nos bares lotados, que ele se encontram. É na clandestinidade que eles têm seus momentos de amor e de prazer. É escondido dos olhos da família, dos amigos, dos colegas de trabalho que eles trocam olhares, juras, promessas. É nos hotéis sem glamour, fora das grandes avenidas, dos grandes centros que eles fazem aquele sexo rock´n roll que com seus parceiros não fazem. É nesses poucos momentos de verdade que ele se despem da vida comum, dos sonhos burgueses, que ele deixam de ser estes seres de plástico e voltam a ser animais. Amam com toda intensidade, amam com a alma, não ligam para o que vai ser na próxima meia hora do dia, vivem aquele momento. Momento esperado, planejado, que nunca vai suprir a necessidade de amor sem compromisso que eles têm. E acaba, ficam as taças e o vinho vazio, a cama desfeita e a vontade de que o tempo voltasse. Mas não volta. Fica o beijo rápido no corredor do hotel, cada um para um lado, cada um com um pensamento. A única prova desse amor, de todo este adultério são os lençóis na cama desfeitos, que a camareira a esta hora já colocou para lavar. Lavar de todo suor, de toda luxúria, que os amantes têm.

domingo, 16 de agosto de 2009

Estranhos


Sei que num sábado ensolarado. Eu com um dor de cabeça incrível pela noite de ontem. Você virá me chamar no portão de casa. Com a cara mais lavada do mundo. Me chamando para ir naquele restaurante que eu adoro, jogar conversa fora e depois beber uma cerveja gelada. E sei que eu no ápice da minha estupidez e carência irei aceitar. Você vai entrar vai brincar com os cachorros como sempre fez, vai perguntar se algo está diferente e eu digo que não, que esta tudo da mesma forma que antes. Porque nada mudou. Ainda tenho os mesmos amigos, vou aos mesmos lugares, tenho os mesmos sonhos, ainda tenho aquele medo doido de amar. Você vai me ver trocar de roupa, vai ficar acanhado por mais que eu tenha feito isso mil vezes na sua frente. Você vai comentar que eu engordei um pouco, que eu sempre fui muito magro, que assim fica melhor. Eu não vou dar ouvidos como sempre. Vamos andar pelas mesmas ruas, mas com um sentimento estranho. De sermos estranhos um para o outro. Como podemos depois de tudo que já passamos nos sentir assim. A comida é boa, conseguimos encontrar uma sintonia, rir dos defeitos um do outro. A primeira vista parecemos amigos, amigos que nunca fomos, pois desde o inicio a vontade de ambos era outra. Você vai me pedir para te acompanhar até em casa e ver o filme Frances que você comprou. E no caminho já tenho certeza de que vamos tomar aquele vinho de sempre. Ouvir aquele blues frenético e faremos sexo na mesma sintonia da música. E depois tudo parecerá mais estranho que nunca. E vamos nos recolher cada um no seu domingo vazio, como se a noite passada não houvesse existido.

domingo, 9 de agosto de 2009

A velha felicidade


Hoje encontrei aquela velha felicidade. Aquela felicidade da saudade dos velhos tempos, dos dias felizes, dos velhos o amigos. Sabe quando você consegue sorrir de verdade, assim do nada sem razão. A vida ensina muito. Aprendi a não fazer a minha felicidade em razão da felicidade alheia. Parei de ajudar aqueles que não querem ajuda, não nasci com vocação para Madre Tereza. Aprendi a viver bem como singular, e vejo que estou distante do plural e sinceramente isso não incomoda mais. Aprendi a ver a beleza das coisas simples. Aprendi a entender que às vezes alguém te magoa não é por mal. As pessoas fazem as coisas tentando acertar, porém isso nem sempre é o suficiente. Aprendi a ser mais bossa nova e menos rock´n roll. Temos de levar a vida devagar, para não faltar amor.

domingo, 2 de agosto de 2009

August day song



Passou julho com suas tempestades avassaladoras que levou meu guarda-chuva made in china pela rua. Com suas tardes frias e vazias. Onde os pensamentos voavam longe , a mente girava e a gente inerte ficava relembrado o passado, com medo de dar o passo a frente. No aconchego de casa nos dias gélidos a única companhia era os livros, filmes e musicas que ecoavam martelando na minha mente e nas paredes do meu quarto azul. Julho foi um mês de perdas e ganhos, como em tudo na vida, mas desta vez tudo mais gritante sem eufemismo algum. Ai chega agosto. Um sábado comum, onde em casa recolhido na minha solidão minha voz ecoa pelos cômodos da casa vazia, o dia que não choveu, finalmente. Pude me anular em meio à multidão do café lotado e ler em paz. Dia em que uma conversa no telefone foi mais valiosa que qualquer outra coisa. Os risos do Gabriel eram as melodia perfeita para a tarde solitária, um fim de semana onde estava cansado de tudo, de todos. Agosto começa leve como um cochilo no meio da tarde, como uma conversa num bar, como uma piada secreta, como um beijo roubado. Acordar num domingo de sol, depois de um mês de chuva insistente, ouvir Bebel naquela bossa gostosa. A gente se joga, se fere, se fode, chora, perde. A gente levanta ri e segue. Agosto começa com canções leves e suaves, as tempestades já se foram e o sol brilha no fim de tarde.